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Zoltan Miklosi // Perversity, futility, complicity: Should democrats participate in autocratic elections?
Resumo: O autoritarismo eleitoral tem vindo a receber uma atenção crescente por parte dos cientistas políticos, mas tem sido em grande medida ignorado pelos filósofos políticos. Este artigo procura colmatar parcialmente essa lacuna ao considerar se é moralmente permissível que os democratas participem em eleições autocráticas como candidatos ou eleitores. As eleições autocráticas permitem uma competição multipartidária significativa, mas são sistematicamente injustas e parcialmente não livres, sendo por isso, pode argumentar-se, normativamente ilegítimas. O artigo analisa três objeções à participação em eleições autocráticas. Estas objeções sustentam, respetivamente, que a participação tem más consequências para a democratização, que é normativamente fútil e que é moralmente errada em si mesma. O artigo defende que estas objeções não são decisivas e que a participação é, em geral, moralmente permissível e até preferível a formas alternativas de contestação. No entanto, as objeções estabelecem que a superioridade normativa do desafio eleitoral relativamente às alternativas é apenas uma questão de grau e que os participantes frequentemente “sujam as mãos”.
Bio: Zoltan Miklosi obteve o seu doutoramento em Filosofia na Eötvös Loránd University (Budapeste). Lecciona na Central European University desde 2009. Os seus interesses de investigação abrangem desde questões fundacionais sobre a base e a natureza da igualdade até à teoria democrática e, mais recentemente, questões de ética política em democracias defeituosas e autocracias eleitorais. Os seus trabalhos foram publicados, entre outros locais, no American Journal of Political Science, em Politics, Philosophy & Economics e em Oxford Studies in Political Philosophy. Foi investigador visitante na Princeton University (2014/2015) e na Universidade de Warwick (Outono de 2025).
