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Tamara Caraus // Totality and Alienation in Marx’s Grundrisse
Resumo: A descrição que Karl Marx faz do capital como totalidade nos Grundrisse tem sido frequentemente negligenciada, em grande medida devido ao pós-estruturalismo, que associou a totalidade a uma grande narrativa da modernidade ocidental. As ciências sociais trataram igualmente a totalidade como teoricamente trivial e irrelevante, considerando-a uma mera soma de todas as realidades (crítica formulada de modo mais célebre por Karl Popper em The Poverty of Historicism). A presente comunicação parte, contudo, da premissa de que uma compreensão teórica adequada da realidade social contemporânea e dos problemas globais exige um regresso à intuição de Marx acerca da totalidade do capital. A primeira parte define as características centrais da totalidade nos Grundrisse: trata-se de um todo orgânico constituído por momentos contraditórios, uma totalidade aberta, historicamente formada e em contínua transformação, com particular atenção ao modo como a totalidade emerge a par de uma nova forma de conexão social que produz simultaneamente desconexão e alienação. A ideia de que a totalidade não é uma entidade positiva ou harmoniosa, mas antes constituída por descontinuidades e alienação, determina o método adequado para a sua abordagem: a crítica. A segunda parte examina o método de Marx para apreender a totalidade através da constituição da crítica da economia política, «o método da ascensão do abstracto ao concreto», e o método de investigação que segue as «ligações internas». A terceira parte sustenta que o conceito marxiano de totalidade deve estar na base de uma renovação teórica das ciências sociais contemporâneas. A conclusão sintetiza de que modo a totalidade como alienação, tal como descrita nos Grundrisse, nos permite compreender e conceptualizar o mundo globalizado como um produto historicamente contingente e profundamente ambivalente da sociedade capitalista.
Bio: Tamara Caraus é Investigadora Responsável no Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, no âmbito do programa Estímulo ao Emprego Científico — Apoio Individual da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Anteriormente, desenvolveu projectos de investigação em filosofia política no New Europe College, no Institut für die Wissenschaften vom Menschen (Viena), na Academia Polaca das Ciências, na Universidade de Bucareste, na Universidade de Oxford, na Universidade de Uppsala, na Universidade de Olomouc, na Universidade de Groningen, na Universidade de Rijeka, entre outras instituições. Publicou artigos em diversas revistas científicas e volumes colectivos, é autora de seis livros e co-editora de cinco volumes. As suas actuais áreas de investigação incluem a filosofia política continental, Marx e a Teoria Crítica.
