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MANUEL ARTIME OMIL

UNED, ESPANHA

Sou Professor Auxiliar no Departamento de Filosofia Moral e Política da UNED, tendo um período de investigação de seis anos reconhecido (2016–2021), atribuído pela ANECA. A minha investigação insere-se nos domínios da Filosofia Política e da Filosofia da História, com particular incidência nos usos políticos do passado.

Durante os meus estudos de pós-graduação, o debate espanhol em torno da memória histórica encontrava-se no seu auge. Rapidamente me apercebi de que esta controvérsia assinalava o surgimento de uma nova sensibilidade geracional, em confronto com a cultura política herdada da Transição para a democracia. Procurei encontrar evidências desta hipótese na historiografia académica e observei que os historiadores que se opunham às iniciativas memorialistas partilhavam uma determinada narrativa acerca da modernização política e cultural espanhola, que está hoje a ser posta em causa. Entretanto, muitos historiadores mais jovens encararam a vaga memorialista como uma oportunidade para alargar as fronteiras da democracia estabelecida e defenderam a recuperação dos fios da tradição republicana.

Subjacente a esta controvérsia historiográfica encontrava-se um debate filosófico acerca de duas formas contrastantes de nos relacionarmos com a temporalidade: enquanto alguns defendiam que o passado podia ser considerado plenamente encerrado, outros procuravam interrogar as dívidas ainda por saldar da história política de Espanha.

As minhas contribuições para este debate foram publicadas em diversos artigos e no meu livro España. En busca de un relato (Dykinson, 2016). Esta obra alcançou um amplo público académico e reuniu numerosas citações. Segundo a WorldCat, o volume integra os catálogos de 63 bibliotecas em todo o mundo, incluindo instituições prestigiadas como Oxford, Cambridge, Princeton, Harvard, Yale, Brown, Connecticut e Sciences Po Paris.

Nos últimos anos, o principal objectivo da minha investigação tem continuado a ser o mesmo: contribuir para uma compreensão mais aprofundada das transformações da cultura política no século XXI. A aceleração dos acontecimentos contemporâneos levou-me a deslocar o foco da minha investigação para o desencanto democrático. A actual crise geopolítica fez-nos regressar a uma época de realismo radical. No meu trabalho mais recente, parto do pressuposto de que esta mudança no discurso político não é inócua, mas antes assinala a nossa entrada numa nova época. A actual transição para modelos sociais fundados no ódio e na exclusão implica a reconstrução de antigos imaginários históricos, que me proponho examinar.