Sally Haslanger, professora de Filosofia e de Estudos de Género no MIT e uma das vozes de referência da filosofia feminista, deu uma entrevista ao Ípsilon, suplemento cultural do jornal Público, durante a sua estada em Braga como oradora principal convidada da mais recente edição dos Braga Meetings on Ethics and Political Philosophy. À conversa com Isabel Lucas no campus de Gualtar da Universidade do Minho, onde os Meetings reuniram cerca de 200 investigadores de 30 países, Haslanger falou da construção social do género e da raça, do trabalho de cuidado invisível realizado pelas mulheres e do modo como as elites políticas transformaram a palavra woke numa arma contra o feminismo, o anti-racismo e as políticas de inclusão.
Enquanto presidente da secção do MIT da American Association of University Professors, alertou ainda para as crescentes ameaças à liberdade académica nos Estados Unidos, desde despedimentos de académicos a financiamento da investigação condicionado ao uso de determinadas palavras. Embora pessimista quanto às alterações climáticas e à ascensão do fascismo, Haslanger defende, na esteira de Gramsci e de Rebecca Solnit, que a esperança é uma questão de vontade e não de optimismo, e recusa a ideia de que os seres humanos são por natureza egoístas ou hostis aos outros: marcar alguém como “outro”, afirma, é um processo social aprendido.
Entrevista aqui.
